Dispõe sobre aprovação do “Parecer da Comissão Especial de Mudanças Climáticas” pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – CADES.
Resolução nº 310/CADES/2026, de 08 de julho de 2026.
Dispõe sobre aprovação do “Parecer da Comissão Especial de Mudanças Climáticas” pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – CADES.
O Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - CADES, usando das atribuições e competências que lhe são conferidas por lei.
RESOLVE:
Art. 1º - Aprovar, conforme a 288ª Reunião Plenária Ordinária do CADES, o Parecer da Comissão Especial de Mudanças Climáticas.
Parágrafo único - A documentação aludida encontra-se anexada ao final desta Resolução (Anexo Único).
Art. 2º - Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação.
Conselheiros que aprovaram esta Resolução
MÁRIO LUIZ DE CAMARGO FILHO
MARCOS ANTONIO SANTOS ROMANO
EDUARDO MURAKAMI DA SILVA
GUILHERME ISERI DE BRITO
NICOLAS XAVIER DE CARVALHO
DOUGLAS DE PAULA D' AMARO
CLEUBER JOSÉ DE CARVALHO
CLAUDIO DE CAMPOS
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH
ROSÉLIA MIKIE IKEDA
ANITA DE SOUZA CORREIA MARTINS
CHRISTIANE DE FRANÇA FERREIRA
JOÃO CESAR MEGALE FILHO
GILSON GONÇALVES GUIMARÃES
FLAVIA CRISTINA DE CAMPOS
CAMILA LIMA MANSUR DA CUNHA
MARCO ANTÔNIO LACAVA
ESTELA MACEDO ALVES
CARLOS ALBERTO DE MORAES BORGES
LUIS VILLAÇA MEYER FILHO
JOSÉ RAMOS DE CARVALHO
ANA MARIA RODRIGUES
MARIA DO CARMO FERRERIA LOTFI
DELAINE GUIMARÃES ROMANO
CLEIDE NEVES DO NASCIMENTO
CELINA CAMBRAIA FERNANDES SARDÃO
SUZANA GUINSBURG SALDANHA
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL
Coordenadora Geral: Liliane Neiva Arruda Lima
Secretária Executiva: Rute Cremonini de Melo
São Paulo, 08 de julho de 2026.
Wanderley de Abreu Soares Junior
Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente
Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável CADES
ANEXO ÚNICO
Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - CADES
Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente - SVMA
Parecer da Comissão Especial de Mudanças Climáticas
Prefeitura do Município de São Paulo-PMSP
Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente-SVMA
Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável-CADES
Comissão Especial de Mudanças Climáticas (Resolução SVMA/CADES nº 287 de 12 de fevereiro 2025 e Resolução SVMA/CADES nº 298 de 10 de setembro de 2025)
Julho de 2026
Sumário
Introdução ........................................................................................................... 3
Processo de Trabalho da Comissão .................................................................... 4
Apresentação da Dra. Thelma Krug na reunião do CADES ............................... 13
Recomendações da Comissão Especial de Mudanças Climáticas .................... 15
ANEXOS
Anexo 1 – Apresentação SECLIMA
Anexo 2 – Apresentação DGUC/APA
Anexo 3- Apresentação APGAM
Anexo 4 – Apresentação do CGE
Anexo 5 – Apresentação CGC - Regimento CADES
Anexo 6 - Apresentação síntese da Fase 1
Anexo 7 – Apresentação de proposta de trabalho para a Comissão
Anexo 8 – Lista de documentos de referências da COP 30
Anexo 9 – Apresentação palestra ‘Resultados e Perspectivas da COP 30’
Este relatório tem por objetivo apresentar ao Conselho Municipal do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável-CADES o Parecer da Comissão Especial de Mudanças Climáticas, instituída pela Resolução SVMA/CADES nº 287/2025 e reorganizada pela Resolução SVMA/CADES nº 298/2025. A finalidade desta Comissão é analisar, debater e propor recomendações voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas no Município de São Paulo, servindo como base propositiva para a política ambiental do Município.
De acordo com o Regimento Interno do CADES, uma Comissão Especial tem por objetivo o estudo de temas específicos e de relevância ambiental para o Município, de caráter temporário, no propósito de subsidiar as decisões do Plenário com pareceres técnicos fundamentados. A Comissão é constituída por um colegiado multidisciplinar, composto por conselheiros do CADES representantes de órgãos públicos, de instituições privadas e acadêmicas, de entidades e setores da sociedade civil e técnicos especialistas convidados.
Este Parecer é o resultado do diálogo ocorrido ao longo de 12 meses, por meio de reuniões presenciais e virtuais devidamente gravadas, cuja participação e quórum podem ser verificados nas respectivas atas de reunião arquivadas na secretaria do Conselho.
De forma geral, a criação da Comissão Especial de Mudanças Climáticas foi motivada pela preocupação dos Conselheiros com os incêndios florestais ocorridos durante o período de estiagem de 2024 e, posteriormente, pelo oportuno contexto de realização da COP 30 no Brasil em novembro de 2025.
Além da descrição do contexto de criação da Comissão Especial de Mudanças Climáticas aqui apresentada, este Parecer descreve o processo de trabalho da Comissão, que contou com a realização de 11 (onze) reuniões, 10 (dez) ordinárias e 1 (uma) reunião extraordinária, nas quais foram discutidas a transversalidade das mudanças climáticas, a função da Comissão, seus objetivos e o objeto central de trabalho. No propósito de contribuir nas discussões e elaboração do Parecer, também foram registradas as contribuições enviadas por escrito, por alguns dos seus membros. Por fim, com base nas apresentações e discussões realizadas, incluindo a apresentação sobre os resultados e perspectivas da COP 30 feita pela Drª Thelma Krug, na reunião de março/2026 do CADES, foram elaboradas as recomendações da Comissão ao Plenário CADES.
A criação da Comissão Especial de Mudanças Climáticas surge como uma resposta direta à demanda de Conselheiros manifestada durante a 43ª Reunião Extraordinária do CADES (02/10/2024). Na ocasião, pautou-se a "Emergência Climática na cidade de São Paulo" com as presenças dos Secretários: Rodrigo Ravena (Secretaria do Verde e Meio Ambiente) – e participação do Secretário Executivo de Mudanças Climáticas, José Renato Nalini, acerca das ações da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas da Secretaria de Governo Municipal (SGM/SECLIMA) e da Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP) em geral, que culminou na aprovação formal de criação da Comissão durante a 272ª Reunião Ordinária do CADES em 12/02/2025.
O arcabouço normativo que rege a composição desta Comissão divide-se em dois momentos:
· Fase 1 (Resolução nº 287/CADES/2025): Período marcado por 05 (cinco) reuniões (04 reuniões ordinárias e 01 extraordinária), onde se definiu a presidência e a relatoria da Comissão e se estabeleceu a estrutura inicial, o cronograma de encontros e os debates sobre a problemática a ser enfrentada pelos membros da Comissão. O presidente da Comissão eleito foi o Sr. José Ramos de Carvalho e a relatora eleita foi a Srª Lígia Pinheiro de Jesus. As reuniões desta etapa foram caracterizadas pela busca por um eixo integrador que traduzisse a transversalidade das mudanças climáticas em ações e projetos práticos e localizados. Observou-se um esforço contínuo em transpor a barreira técnica setorial, inerente às diferentes temáticas climáticas, por meio de estratégias de integração intersetorial, como a utilização de dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura do Município de São Paulo (PMSP) para o planejamento de obras e a proposição de um Plano de Comunicação específico.
Quadro 1: Síntese das reuniões na Fase 1
Data | Reunião | Pauta e Síntese dos Temas |
17/03/2025 | 1ª Ord. | ü Instalação da Comissão: Estruturação da governança, mesa diretora e calendário. |
28/04/2025 | 2ª Ord. | ü Ações SECLIMA: Mitigação, adaptação e balanço de metas setoriais (transporte, resíduos, áreas verdes). |
12/05/2025 | Extr. | ü Bacia Ribeirão Colônia: Diagnóstico territorial na APA Bororé-Colônia, fiscalização e licenciamento (TCA). |
02/06/2025 | 3ª Ord. | ü Incêndios Urbanos: Projeto prático focado em riscos climáticos e correlação com os ODS. |
30/06/2025 | 4ª Ord. | ü Tecnologia (CGE): Monitoramento, radares e o desafio da impermeabilização do solo (70%). |
· Fase 2 (Resolução nº 298/CADES-SVMA/2025): A primeira reunião desta etapa, correspondente à quinta reunião ordinária da Comissão, foi realizada após a atualização da composição de membros em virtude da nova gestão de Conselheiros do CADES para o biênio 2025 - 2027. Além da apresentação de uma síntese das reuniões anteriormente realizadas, a pauta foi dedicada à discussão fundamental sobre o propósito, objetivo e objeto de trabalho da Comissão. Nesta oportunidade foi esclarecido o caráter temporário da Comissão, com a finalidade de, com base em parecer técnico fundamentado, subsidiar decisões do plenário do CADES, conforme disposto no seu Regimento Interno, estabelecido na Resolução nº 140/CADES/2011.
Também houve nova eleição para presidência, vice-presidência e relatoria da Comissão, tenho sido eleito como presidente o Sr. Alessandro Azzoni, como vice-presidente o Sr. José Ramos, como relatora a Sr.ª Ligia Pinheiro e relatora suplente a Sra. Camila Lima Mansur da Cunha.
Ponderou-se que a ampla abrangência do tema central da Comissão “mudanças climáticas” possibilitou a discussão de diversos temas na 1ª Fase, conforme descrito no Quadro 1. Embora pertinentes, essas discussões em sentido amplo não permitiriam à Comissão a formulação de propostas objetivas para serem encaminhadas ao Plenário do CADES. O tema “mudanças climáticas” é muito abrangente, englobando todos os sentidos da vida em nosso planeta. Seria necessário fazer uma opção sobre qual tema deveria ser tratado tecnicamente, para poder firmar recomendações.
Para o prosseguimento dos trabalhos houve, assim a necessidade de definir o objeto para elaborar o Parecer e respectivas recomendações ao Plenário do CADES. Feitos os debates, no dia 29 de setembro de 2025, a Comissão deliberou o seguinte objeto para o seu trabalho: analisar os resultados da COP 30, fazendo as recomendações cabíveis para o Município de São Paulo (MSP), objetivando seu direcionamento à administração municipal (PMSP e Câmara Municipal) e para a sociedade em geral (ver o documento apresentado na reunião no Anexo 7). Pelo relevante contexto de realização da COP 30 no Brasil seria pertinente adotar seus resultados como objeto central dos trabalhos da Comissão, especialmente porque a COP-30 impulsionou a promoção de debates sobre os desafios dos setores públicos, privados e da sociedade para adaptação e mitigação da mudança do clima no MSP.
Quadro 2 - Síntese das reuniões na Fase 2
Data | Reunião | Pauta e Síntese dos Temas |
05/09/2025 | 5ª Ord. | ü Votação da Presidência e Relatoria da Comissão ü Apresentação do Regimento Interno do CADES conforme Resolução nº 140/CADES/2011. ü Apresentação da síntese das reuniões realizadas na Fase 1. |
29/09/2025 | 6ª Ord. | ü Definição dos propósitos e ações da Comissão, e futuras pautas. |
24/11/2025 | 7ª Ord. | ü Apropriação dos conteúdos dos documentos básicos preparatórios da COP 30, e publicações resultantes. |
08/12/2025 | 8ª Ord. | ü Discussão dos documentos já encaminhados e das estratégias para a elaboração do Parecer final da Comissão. |
02/03/2026 | 9ª Ord. | ü Repercussão da COP30 sob a ótica das instituições representadas na Comissão. ü Início do debate acerca das recomendações a serem incluídas no Parecer da Comissão. |
06/04/2026 | 10ª Ord. | ü Avaliação da Minuta do Parecer da Comissão ü Definição das recomendações |
08/06/2026 | 11ª Ord. | ü Avaliação final da Minuta do Parecer da Comissão |
Para o alinhamento das informações sobre a COP 30 para os membros da Comissão, a Coordenação de Gestão dos Órgãos Colegiados da SVMA (CGC/SVMA) disponibilizou para leitura um conjunto de documentos indicados pela servidora Laura Ceneviva, especialista técnica convidada da Comissão, que apresentou sumariamente os documentos que considerou pertinentes e os conteúdos a serem enfrentados. Os documentos estão listados no Anexo 8 deste Parecer.
Alguns membros da Comissão também disponibilizaram, por e-mail, documentos com propostas para análise do Grupo, como segue:
· Alessandro Luiz Oliveira Azzoni – Setor Comercial/ACSP:
O Orçamento Climático 2026 (R$28,8 bi), revisão do PlanClima SP (lançada jan./2026, meta net-zero 2050), 8 novos parques, 240 mil atendimentos educação ambiental e presença forte na COP30 (biometano, hidrogênio). Como especialista, sugiro à Comissão Especial de Meio Ambiente do CADES priorizar melhorias no PlanClima e lições COP30 (Belém 2025), com foco em governança participativa via câmaras técnicas.
Aperfeiçoamento Orçamento Climático
Comitê Gestor Intersetorial do Orçamento Climático (CGI-Clima) é novo; fortaleça com CADES.
· Alocação por Câmara Técnica: Dívida R$28,8 bi com inputs CADES (ex: R$2 bi para Câmara IV Saneamento via biometano Ecoparques) – transparência C40.
· Auditoria Cidadã Anual: App Participa+SP para monitorar gastos PlanClima, com relatórios trimestrais CADES (lição COP30 accountability).
Educação Ambiental Decenal
PMEA-SP (2024-2034) mapeia ações; integre periferias.
· Mutirões CADES-Escolas: 100 CEIs com kits COP30 (florestas urbanas), treinados por Câmara VIII Educação Ambiental – meta 500 mil alunos/ano.
· Realidade Virtual Parques: Expanda avaliação ONU-Habitat com VR tours nos 25 parques revitalizados, acessível via app SVMA.
Fiscalização e Monitoramento Tech
SVMA monitora UCs; evolua com IA.
· CADES-Drones Periferia: 20 drones para Câmara III (Uso Solo) fiscalizar APPs urbanas (Billings), integrando CGE dados – ↓ queimadas 30% (COP30 tech).
· Blockchain Licenças: Câmara I/VII certifica licenças ambientais SVMA, auditável pelo Plenário CADES – acelera aprovações verdes 50%.
Resiliência Urbana COP30
Hidrogênio e biometano avançam; escale.
· Hidrogênio Bairros: Piloto Aquático hidrogênio em 5 periferias, com Câmara II (Obras Viárias) + comunidades – meta 10% frota limpa 2028.
· Cobertura Vegetal 60%: +50 km corredores verdes (PlanClima), com Banco Sementes comunitário gerido Câmara VI (RIVI).
Ação Atual SVMA | Melhoria CADES | Impacto | Base PlanClima/COP30 |
Orçamento R$28,8 bi | Auditoria App | ↑Transparência 40% | Governança C40 |
PMEA 2024-34 | Mutirões 500k alunos | ↓Educação gap | Participação Belém |
Drones UCs | CADES Periferia | ↓Queimadas 30% | Tech Resiliência |
8 Parques Novos | VR + Corredores | ↑Cobertura 6% | Eixo Verde Net-Zero |
Essas propostas alavancam R$122 bi até 2029, com CADES como hub técnico-plenário para SP líder C40.
· Carlos Alberto de Moraes Borges – Secovi-SP
COP30 e o Setor Imobiliário: repercussões e encaminhamentos Contribuição sob a ótica do setor imobiliário e da construção civil
A realização da COP30 no Brasil consolida a agenda climática em fase de implementação, com maior integração entre metas nacionais, financiamento, cadeias produtivas e políticas públicas. Para o setor imobiliário e da construção civil, estruturante do desenvolvimento urbano e com participação relevante nas emissões do ambiente construído, as repercussões são de natureza estratégica, regulatória e econômica. Repercussões centrais para o setor
1. Governança colaborativa da transição
A COP30 reforçou pactos e coalizões voltados à descarbonização da habitação e da construção civil, como a Coalizão pela Habitação Net Zero 2050 e a Rede Nacional de Inovação para a Habitação Sustentável. Esses arranjos evidenciam que a transição climática dependerá de coordenação institucional, padronização técnica e alinhamento entre poder público, mercado e sistema financeiro.
2. Estratégia urbana para mitigação e adaptação
A agenda climática exige que mitigação e adaptação sejam incorporadas como diretrizes estruturantes do desenvolvimento urbano. O ambiente construído deve ser tratado como eixo estratégico da resposta municipal, articulando planejamento territorial, mobilidade, infraestrutura, habitação e resiliência. Isso implica integrar ao planejamento da cidade o manejo sustentável de águas, drenagem eficiente, ampliação da permeabilidade do solo, infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza, além de planejamento orientado ao transporte, adensamento qualificado, padrões de desempenho das edificações ao longo do ciclo de vida e redução do carbono incorporado nos materiais.
No contexto brasileiro, a eficiência deve ser compreendida de forma ampliada, abrangendo dimensões energética, material, hídrica, construtiva e territorial do desenvolvimento urbano.
3. Da mensuração à redução
A COP30 sinaliza a evolução do inventário para metas efetivas de redução de emissões. Para o setor, isso implica considerar todo o ciclo do empreendimento, com foco no carbono incorporado, no desempenho operacional e na integração da cadeia produtiva. Transparência e rastreabilidade tornam-se requisitos crescentes de mercado e financiamento.
4. Financiamento e competitividade
A consolidação da taxonomia sustentável brasileira e a expansão do financiamento verde reforçam a relação entre gestão climática e acesso a capital. A descarbonização passa a integrar a precificação de risco e a valorização de ativos.
5. Instrumentos regulatórios e indutores da transição
A consolidação dessa agenda depende de ambiente regulatório claro, estável e tecnicamente alinhado às metas climáticas. A harmonização entre normas técnicas, instrumentos urbanísticos e diretrizes ambientais é fundamental para garantir previsibilidade, segurança jurídica e viabilidade econômica aos investimentos de longo prazo. A política urbana pode exercer papel indutor por meio de incentivos vinculados ao desempenho ambiental dos empreendimentos, estimulando redução de emissões, uso racional de recursos e maior resiliência urbana. Cabe às entidades representativas do setor, como o Secovi-SP, contribuir para a preparação técnica da cadeia produtiva e para a interlocução qualificada com o poder público, viabilizando uma transição estruturada e competitiva.
Propostas de encaminhamento ao Relatório Final da Comissão
1. Criar instância permanente de diálogo técnico entre poder público, setor produtivo e instituições financeiras.
2. Incorporar aos instrumentos urbanísticos critérios de sustentabilidade orientados por desempenho ambiental, evitando a prescrição de soluções específicas e favorecendo a inovação e a pluralidade de alternativas técnicas.
3. Fomentar incentivos urbanísticos vinculados ao desempenho ambiental e à redução de emissões ao longo do ciclo de vida.
4. Apoiar iniciativas estruturadas de capacitação técnica e disseminação de boas práticas na cadeia da construção civil.
Anteriormente o Sr. José Ramos de Carvalho – Norte 2 – APGAM havia encaminhado propostas de ações e agenda técnica para a Macrorregião Norte II, como segue:
I. Foco na Saúde Pública e Fontes de Contaminação
Nossas atividades se concentram na pesquisa contínua e voluntária sobre "elementos químicos suspensos" (Monóxido de Carbono, Metano entre outros) com impacto severo no sistema respiratório. O foco primário recai sobre grupos vulneráveis (crianças, idosos e gestantes), com dados corroborados pelo Programa VIGIAR (UBS Vila Medeiros/SMS-SP), especificamente na área do Vale do Rio Cabuçu (Divisa SP/Guarulhos).
II. Validação Técnica e Engajamento Regional
Para traduzir as pesquisas em ações práticas, conforme Comissão gestão anterior junto ao CADES Municipal, intensificamos o diálogo técnico e recepcionamos apresentações de especialistas aqui representados:
· Parceiros Institucionais: Profa. Dra. Camila Lourenz (IA/USP), Ricardo Cardim (Floresta de Bolso), Eng. Hassum (SGE - Estações Meteorológicas) e Enga. Quím. Maria Lúcia (Gerência de Qualidade do Ar - CETESB).
· Atuação Regional (ASSEAG): No âmbito da Macrorregião II, compartilhamos informalmente os impactos socioambientais (Inundações/Enchentes e Doenças Respiratórias) com a ASSEAG (Guarulhos). Estas informações foram comunicadas informalmente à Presidência do CAU e contextualizadas nesta oportunidade com a problemática do "Corredor Exótico de Leucenas" margens do Rio Cabuçu de Cima. Fontes: GEOsampa, Programa Vigiar – SMS/SP.
III. Documentação Técnica Submetida e Indicadores Críticos
A Profa. Enga. Amb. Ga. Carla Falaska (ENIAC/CAMPUS - Guarulhos) já submeteu, para avaliação, os relatórios anexos, essenciais para:
1. Diagnóstico de Origem: Investigar e diagnosticar as origens efetivas dos "Elementos Químicos Suspensos", notadamente: rodovias, logística urbana transporte, conjunto de Aterros Sanitários (jd. Cabuçu/Pq. Continental) e Aeroporto Internacional de São Paulo - Cumbica/Guarulhos. (Média 820 Voos/dia).
2. Justificativa das Bandeiras Vermelhas: Sustentando a péssima Qualidade do Ar em especial no período noturno (22:00 as 05:00 hs) sobre o Vale do Rio Cabuçu (21 km² - População Superior a 500.000 pessoas potencialmente afetadas da jurisdição socioambiental dos CADES Regionais: Santana/Tucuruvi, Vila Maria/Vila Guilherme/ Vila Medeiros e Jaçana/Tremembé).
Adicionalmente, monitoramos os índices via Sensor de Poluição Atmosférica (FSP/SP) instalada na sede - APGAM (Jd. Brasil). A análise da carta de ventos predominantes (direção Leste/Oeste) é particularmente crucial no período noturno, dada a notória dispersão de contaminação observada para outros sensores da FSP/SP (Lapa, Cerqueira César, FSP/SP, Bela Vista, Ipiranga e Pq. do Estado – Fontes: Estações Meteorológicas SGE - Defesa civil - Municipio de SP / Projeto Sensores FSP/SP).
Considerando, o cenário apresentado referente a Macrorregião II - (Município de SP) neste período inicial da COP 30 e o "cancelamento total" da 7a Reunião ordinária da CEMC, respeitando os motivos apresentados. Na condição de Vice-Presidente CEMC obviamente não temos um "Regimento Adm./Jurídico " formalizado"; porém, isento de qualquer constrangimento outro observo o direito natural na condição de conselheiro em NÃO adiar até 25 nov/2025 as informações doravante abaixo e em anexo para análise conselheiros imprimindo críticas, conceitos avaliando ser recorrentes.
Finalizando junto 7ª. Reunião ordinária iriamos propor e já emoldurando uma ação com foco imediato após o encerramento da COP30 à oportunidade de construção de Fóruns Intermunicipais Estratégicos - Unilateral (Piloto), envolvendo os Secretários do Verde/SECLIMA, Equipes Técnica/Conselheiros municipais e regionais: Guarulhos e São Paulo. Na busca de soluções integradas de políticas públicas de caráter socioambiental traduzindo benefícios diretos e indiretos entre municípios vizinhos. (Resiliência, Adaptação, Mitigação, Saneamento e Saúde Pública ...).
E posteriormente envolvendo outros municípios vizinhos da “grande São Paulo” – com Foruns Intermunicipais Unilaterais e suas respectivas Macrorregiões (Oeste/Osasco, Sul/ABC, Leste/Itaquaquecetuba, etc.).
Na 9ª reunião da Comissão Especial de Mudanças Climáticas, a dinâmica de trabalho foi estruturada a partir de uma rodada de consulta individual, onde cada membro foi provocado a responder a seguinte questão: Qual o impacto que a COP 30 teve em seu setor? Desse modo, a Comissão pôde reunir subsídios para avaliar o que seria pertinente propor ao plenário do CADES. Abaixo, sintetizamos os pontos de convergência e as visões setoriais que fundamentam este Parecer:
Houve consenso de que o impacto da COP 30 para o Município de São Paulo foi predominantemente político, validando as políticas que o Município já possui e que são explicitadas por meio de diversos planos, especialmente o Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PlanClima SP), mas sem necessariamente alterá-las em sua base técnica. A COP 30 não trouxe propriamente nada de novo. O evento reforçou a urgência de transpor o debate global para a escala local, focando na implementação de medidas de adaptação e sobre lógicas de políticas integradas. A seguir estão sistematizadas as contribuições setoriais de forma mais detalhada:
Gestão Pública (SGM/SECLIMA, SMS e SVMA)
o Destacou-se o lançamento do Orçamento Climático como ferramenta de governança.
o O impacto da COP 30 foi lido como ‘difuso’, servindo para pautar a necessidade de trazer o debate das florestas para o contexto das cidades e a importância da adaptação baseada em dados, monitoramento e reporte.
o Houve avanço na inclusão de ações climáticas no Plano de Municipal de Saúde, com foco em Justiça Climática e Primeira Infância, além da criação de um Grupo de Trabalho dedicado exclusivamente à adaptação para riscos hidrológicos.
Setor da produção do espaço urbano (Secovi-SP e IAB):
o Defendeu-se o PlanClima SP como guia para atuação do setor imobiliário e a ênfase na gestão de resíduos e, na logística reversa, além da necessidade de incentivos e políticas públicas voltadas à construção sustentável.
o Focou-se a capacitação de gestores, propondo a estruturação de conteúdos técnicos e o debate sobre o financiamento das ações de adaptação no ambiente construído.
Sociedade Civil e Setor Social e Legislativo (Associação Viva o Centro e Setor Técnico):
o Ressaltou-se a necessidade de clareza na comunicação sobre logística reversa para engajar a sociedade.
o Trouxe alerta sobre a necessidade de ‘indicadores de confiança’ e a importância da preservação do patrimônio como forma de resiliência urbana.
o Proposta de restauração de chafarizes como elementos de conforto térmico, o monitoramento de umidade do ar por sensores e a necessidade de enfrentamento das ilhas de calor.
o Proposta de retomada da inspeção veicular e o acompanhamento da legislação federal que impacta a autonomia municipal em relação ao controle de poluentes.
A partir das contribuições destacam-se três eixos de atenção:
· Integração: necessidade de melhorar a integração entre as ações públicas setoriais.
· Comunicação: necessidade de traduzir conceitos e ideias relacionados ao enfrentamento das mudanças climáticas para a população em geral.
· Capacitação: desafio de aumentar a capacidade técnica de atores influentes e gestores públicos e no ambiente escolar.
Por intermédio do Conselheiro Ricardo Crepaldi, a Comissão pôde contar com relevante subsídio para reflexão sobre o impacto da COP 30 no Município, pela palestra sobre os ‘Resultados e Perspectivas da COP 30’ proferida pela Drª Thelma Krug, na 284ª Reunião Plenária Ordinária do CADES, realizada em 11 de março de 2026.
A Drª Thelma Krug, cientista brasileira com atuação na área das ciências da terra e mudanças climáticas, que liderou o Conselho Científico da COP 30, atualmente é Presidente do Comitê Diretivo do Sistema Global de Observação do Clima.
De acordo com a Drª Thelma, o foco central da COP 30 foi a implementação das metas climáticas. Ela considera que, embora o mundo tenha avançado em agendas políticas, a adaptação urbana ainda está muito aquém do necessário. Atualmente a questão crucial é a resiliência das cidades. Apesar da disponibilidade de financiamento (cerca de 30 bilhões para obras), a agenda urbana não obteve resultados significativos na prática.
Outra questão importante trazida pela palestrante é que o sucesso da COP 30 não deve ser medido apenas por consensos formais, mas sim, pela capacidade de engajar os governos estaduais e municipais, o setor privado e a sociedade civil, especialmente as comunidades vulneráveis.
As principais questões abordadas no debate entre os participantes da reunião foram:
1. Adaptação e Resiliência Urbana
· Infraestrutura e Energia: O Município precisa antecipar mudanças no sistema de distribuição de energia para evitar colapsos. A adaptação é complexa por envolver áreas invisíveis da cidade e infraestruturas caras (como fiação subterrânea).
· Vulnerabilidade Social: A resiliência deve começar pelos locais mais difíceis, como assentamentos e comunidades (ex: Paraisópolis), integrando saúde, transporte e contenção de deslizamentos.
· Verticalização x Clima: A verticalização desenfreada altera negativamente o microclima. É necessário usar materiais de construção que reduzam a temperatura (fachadas térmicas), mas o alto custo ainda é uma barreira que exige políticas públicas de incentivo.
2. Governança, Planejamento e Ciência
· Uso de Dados: O INPE continua sendo a fonte mais confiável para dados de desmatamento devido à sua série histórica consistente. Foi sugerido o uso da ferramenta Adapta Brasil para embasar tomadas de decisão sobre vulnerabilidade.
· Conflito Legislativo: Foi apontado que as revisões das leis de zoneamento muitas vezes ignoram as diretrizes e metas do PlanClima SP e dos planos verdes, como o PMMA SP, resultando em problemas ambientais, entre os quais o adensamento populacional em áreas de risco de enchente.
· Conceito de Cidade de 15 Minutos: Discutiu-se a importância da escala do bairro e do fortalecimento das comunidades locais para reduzir deslocamentos e aumentar a proteção social.
3. Desafios Globais e Impactos Locais
· Eventos Extremos: O impacto de fenômenos como o El Niño/La Niña e o aquecimento do Atlântico afeta diretamente o regime de chuvas na Amazônia e no Sudeste, impactando o agronegócio e a saúde pública (queda drástica da umidade relativa do ar).
· Vilões das Emissões: As emissões de combustíveis fósseis continuam sendo o principal problema. Porém, permanece forte a presença de lobistas do setor fóssil nas COPs, inclusive superando grandes delegações nacionais.
4. O Papel da Comunicação e do Consumo
· Conscientização: A população precisa entender a origem dos produtos (ex: carne e emissões de metano) e os riscos climáticos aos quais está exposta.
· Inclusão: A COP 30 buscou ser a mais inclusiva, dando voz a indígenas, afrodescendentes e ao setor privado para criar uma agenda de ação real.
Concluiu dizendo que há conhecimento científico existe, mas a implementação esbarra no custo financeiro, na pressão política (lobbies) e na falta de comunicação mais assertiva com a sociedade. O grande desafio para o Município está na efetiva implementação do PlanClima SP e dos planos verdes, e na promoção de instrumentos urbanísticos sustentáveis que possam trazer resiliência para a cidade.
As evidências científicas e os eventos climáticos extremos recentes, tais como os incêndios de 2024 e as sucessivas ondas de calor, demonstram que as mudanças climáticas não são uma ameaça futura, mas um desafio presente que impacta diretamente a saúde pública, a biodiversidade e as atividades humanas em geral.
A realização da COP 30 no Brasil em 2025 consolidou o papel estratégico das cidades na agenda global, embora pouco se tenha avançado sob essa ótica. As discussões sobre o ‘Mapa do Caminho’ reforçaram o papel do planejamento e a necessária articulação política entre setores e níveis de governo.
Conforme destacado pela Dra. Thelma Krug em sua participação na reunião CADES, o Município de São Paulo já possui um protagonismo reconhecido, especialmente ancorado no PlanClima SP. No entanto, o desafio ‘pós-COP 30’ reside na capacidade de monitoramento, atualização contínua e, sobretudo, na integração intersetorial das ações.
Diante do exposto, a Comissão Especial de Mudanças Climáticas apresenta ao Plenário do CADES as seguintes recomendações:
1. Fortalecimento do ‘Mapa do Caminho’ Paulistano
Reconhece-se que o Município de São Paulo já dispõe de instrumentos estruturantes de política climática, notadamente a Política Municipal de Mudança do Clima e o Plano de Ação Climática do Município de São Paulo - PlanClima SP, que compõem o denominado ‘Mapa do Caminho’ paulistano.
Recomenda-se o aprimoramento contínuo dessa Política, instituída pela Lei Municipal nº 14.933/2009, com ênfase no reforço da dimensão da adaptação climática e na incorporação dos aprendizados e compromissos decorrentes da COP 30.
Propõe-se, ainda, que o processo de atualização observe indicadores de acompanhamento prazos de implementação e responsabilidades institucionais claramente definidos.
2. Governança, Gestão e Integração Intersetorial
O CADES, enquanto um Conselho representativo de setores públicos e da sociedade civil deve enfatizar a importância das agendas intersetoriais para minimizar o impacto de planos setoriais que sejam implantados de forma desarticulada, sem considerar eventuais impactos negativos na adaptação da cidade às mudanças climáticas. Cabe contribuir para aprimorar a concepção dos projetos setoriais, compatibilizar as intervenções de diferentes setores na execução das obras, e aprimorar o sistema de manutenção das intervenções setoriais. Neste contexto, também cabe o aprimoramento na aplicação dos recursos orçamentários e dos fundos municipais, como o Fundo Especial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (FEMA), o Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano (FUNDURB), o Fundo Municipal de Saneamento e Infraestrutura (FMSAI), e o Fundo Municipal de Habitação (FMH).
Recomenda-se o fortalecimento da governança climática municipal por meio da articulação efetiva entre as diversas secretarias, órgãos e instâncias colegiadas, de modo a evitar a fragmentação das políticas setoriais. O CADES deve exercer papel articulador e indutor da integração intersetorial, promovendo alinhamento entre planejamento urbano, mobilidade, saneamento, saúde, defesa civil, meio ambiente e desenvolvimento social. Sugere-se, para isso, a institucionalização de instância técnica permanente no Executivo para acompanhar e subsidiar a pactuação das ações climáticas no âmbito municipal.
Recomenda-se o acompanhamento e integração das estratégias internacionais e nacionais estabelecidas na COP30 que fortaleçam a governança climática ancoradas na cooperação entre governos nacional e subnacionais (Compromisso CHAMP - Coalizão para Parcerias Multiníveis de Alta Ambição para a Ação Climática), conforme determinado pela Contribuição Nacionalmente Determinada - NDC Brasileira[1]https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/mudanca-do-clima/NDC/a-ndc-do-brasil-2024-2013-2024.pdf, quanto ao planejamento, financiamento, implementação e monitoramento de estratégias climáticas.
Para tanto, observa-se o necessário acompanhamento das estratégias apresentadas pelo Plano de Aceleração da Governança Multinível, que foi construído com base em experiências reais, como o AdaptaCidades e o Programa Cidades Verdes e Resilientes, uma vez que a iniciativa oferece um roteiro prático para alinhar políticas, dados e financiamento entre os diferentes níveis de governo, estruturado a partir de metas objetivas e mensuráveis, além de apoio a preparação de carteiras de projetos financiáveis e o acesso a recursos climáticos para acelerar transições justas, resilientes e inclusivas.
Ainda, recomendamos a participação no Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR)https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/meio-ambiente-urbano-recursos-hidricos-qualidade-ambiental/cidades-verdes-resilientes/comite-gestor-do-programa-cidades-verdes-resilientes/texto_base_pcvr_v8-final.pdf, a partir da Adesão e a manifestação do Termo de Compromisso, conforme Resolução nº 3/2026 do Comitê Gestor do PCVR, https://in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cg-pcvr-n-3/2026-690205975 comprometendo-se a atuar de forma colaborativa na promoção de políticas, projetos e ações que ampliem a qualidade urbana e ambiental nas cidades brasileiras e no atendimento das metas do Programa, no que for de competência, para o fortalecimento de uma visão comum de futuro — cidades mais verdes, inclusivas e resilientes. A participação permite acesso prioritário a assessoria técnica em diversos processos, materiais técnicos e ferramentas, além de apoio a mediação em processos de captação de recursos e modelos financeiros inovadores, devendo se compromissar em correlacionar a instância de governança local do PCVR, mobilizar recursos e iniciativas sustentáveis para o atendimento às ações do Programa, apresentar metas e ações alinhadas aos objetivos do Programa, contribuir com informações e dados necessários ao monitoramento das iniciativas implementadas, atuar de forma colaborativa com os demais membros do Programa, disseminando conhecimento e políticas, projetos sustentáveis e resilientes, desenvolver planejamento climático, entre outros.
3. Comunicação Pedagógica e Participação Social
Recomenda-se a elaboração e implementação de um plano de comunicação climática com linguagem acessível, pedagógica e territorializada, apta a traduzir a emergência climática para o cotidiano da população. Essa estratégia deve contemplar campanhas sobre riscos climáticos, ondas de calor, umidade relativa do ar, saúde pública, logística reversa, adaptação baseada na natureza e consumo responsável, com atenção especial às periferias e aos grupos mais vulneráveis. Também se recomenda ampliar os canais de participação social, de modo a fortalecer a escuta qualificada da sociedade e a corresponsabilização cidadã na agenda climática.
4. Capacitação e Justiça Climática
Recomenda-se a estruturação de programas permanentes de capacitação técnica voltados a gestores públicos, conselheiros, agentes territoriais e setores estratégicos da economia urbana, com foco em adaptação, mitigação, resiliência e soluções baseadas na natureza. Esses programas devem ter como premissa a justiça climática, considerando desigualdades territoriais, socioeconômicas e ambientais, de modo a priorizar populações mais expostas aos efeitos extremos do clima. Sugere-se, ainda, a produção de materiais formativos e a realização de ações educativas em rede, com integração entre poder público, escolas, universidades e organizações da sociedade civil.
5. Monitoramento e Tecnologia Integrada
Recomenda-se que a Prefeitura amplie e integre os sistemas de monitoramento climático, ambiental e territorial, com uso sistemático de dados produzidos pelo Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) e por demais bases públicas relevantes. Esses dados devem subsidiar decisões de curto, médio e longo prazo, especialmente em situações de risco, planejamento urbano e formulação de políticas de adaptação. Propõe-se, ainda, o uso de tecnologias de informação para consolidar painéis de acompanhamento, apoiar a transparência ativa e permitir monitoramento contínuo das metas climáticas municipais. Recomenda-se também a criação da carreira de meteorologistas no quadro de profissionais da PMSP.
6. Ações de respostas à ocorrência de eventos climáticos extremos no ambiente urbano
Tendo em vista a ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos, como incursões de ar polar, quedas bruscas de temperatura, ventos intensos, chuvas extremas, alagamentos, enchentes, deslizamentos, altas temperaturas, baixa umidade, e impactos sobre a saúde pública, a infraestrutura urbana e a segurança hídrica, causadas por exemplo pela alteração do vórtice antártico, e que tais efeitos exigem do Poder Público a adoção de medidas integradas de monitoramento, prevenção, proteção social e resposta emergencial, recomenda-se a adoção das seguintes medidas de enfrentamento:
· Reforçar alertas meteorológicos e protocolos de Defesa Civil para frio intenso, tempestades e chuva extrema.
· Defininir os principais cenários de risco climático (inundações, deslizamentos, ondas de calor, entre outros);
· Definir responsáveis e os fluxos de decisão entre os atores envolvidos;
· Estabelecer protocolos de resposta por cenário, contemplando ações preventivas e emergenciais;
· Integrar sistemas de monitoramento e alerta, com comunicação ágil e coordenada;
· Estruturar planos de contingência e de continuidade para serviços essenciais;
· Prever medidas de adaptação urbana voltadas ao aumento da resiliência;
· Ampliar abrigos, assistência social e proteção a pessoas em situação de rua nos episódios de frio;
· Investir em drenagem urbana, manejo de encostas e manutenção preventiva de árvores e redes;
· Integrar monitoramento climático, saúde e assistência social em uma resposta coordenada;
· Desenvolver comunicação pública clara para orientar a população sobre riscos e autocuidado;
· Convidar Secretaria Municipal de Segurança Urbana para compor o CADES;
· Investir em Soluções Baseadas na Natureza para ampliação da cobertura vegetal do Município, como mecanismo de ampliação de biodiversidade e redução de temperatura, e contenção dos riscos geo-hidrológicos;
· Articular o planejamento climático do Município à iniciativa AdaptaCidades do Programa Cidades Verdes Resilientes, a fim de fortalecer a agenda de adaptação nas políticas setoriais vigentes e nos instrumentos de planejamento e gestão ambiental urbana, prover a capacitação de técnicos e da sociedade, e interagir no compartilhamento de boas práticas da gestão municipal.
Ressalta-se, ainda, a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño, que, conforme indicam órgãos oficiais nacionais de meteorologia e climatologia, a exemplo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), poderá acarretar impactos em todo o território nacional, em diferentes graus de severidade. Entre os efeitos projetados, destacam-se a ocorrência de chuvas irregulares e períodos de estiagem na Região Sudeste, secas mais severas nas regiões Norte e Nordeste, aumento expressivo do volume de precipitações na Região Sul, elevação generalizada das temperaturas médias e maior incidência de incêndios em extensas áreas. Diante desse quadro, recomenda-se a ampla ciência da situação e a adoção de medidas preventivas e preparatórias pelos diversos setores da sociedade.
Em resumo, recomenda-se que a PMSP, na qualidade de instância local de governo, aprimore as políticas municipais com a inclusão da variável climática em todas as suas abordagens. O objetivo final deve ser a consolidação de uma cidade resiliente, que ofereça qualidade de vida e proteção à biodiversidade frente aos cenários climáticos projetados para as próximas décadas.
Com todo o exposto, submetemos o presente Parecer à apreciação e deliberação do Plenário do CADES.
I – Membros (as) Conselheiros (as) do CADES:
Poder Público
a) Marcos Antônio Santos Romano - SEHAB
b) Patrício Gomes Moreira – SMS
c) Lígia Pinheiro de Jesus – SVMA/CPA
d) Mauricio Guerra – MMA
Sociedade Civil
e) Carlos Alberto Maluf Sanseverino - OAB-SP
f) Marco Antônio Lacava - Câmara Municipal de São Paulo – CMSP
g) Carlos Alberto de Moraes Borges – Setor Comercial - SECOVI
h) Celina Cambraia Fernandes Sardão - Centro-Oeste 1 - Instituto Eu Amo Sampa
i) José Ramos de Carvalho - Norte 2 - APGAM
j) Delaine Guimarães Romano – Leste 1 - Fórum Desenvolvimento da Zona Leste
k) Erika Bechara – Universidades - PUC-SP
l) Flavio Luis Jardim Vital - Centro Oeste 2 - Associação Viva o Centro
m) José Reis De Araujo Filho – Sul 3 - Associação Infinita Esperança
n) Luis Villaça Meyer – Setor Industrial - PNBE
o) Ricardo Crepaldi –Associações - ABES
p) Heber Pegas da Silva Junior – CREA/SP
II – Técnicos Convidados (as)
a) Laura Lúcia Vieira Ceneviva - SVMA/AT-Mudanças Climáticas
b) Hélia Maria Santa Barbara Pereira – SVMA/CPA
c) Danilo Augusto da Silva – SGM/SECLIMA
e) Magali Antonia Batista – SMS
f) Alessandro Luiz Oliveira Azzoni – Setor Comercial/ACSP
g) Alessandro Bender – SGM/SECLIMA
h) Camila Lima Mansur Da Cunha – OAB/SP
i) Estela Macedo Alves – Associações - IAB
ANEXOS
Anexo 1 – Apresentação Seclima
Anexo 2 – Apresentação DGUC/APA
Anexo 3- Apresentação APGAM
Anexo 4 – Apresentação do CGE
Anexo 5 – Apresentação CGC - Regimento CADES
Anexo 6 - Apresentação síntese da Fase 1
Anexo 7 – Apresentação de proposta de trabalho para a Comissão
Anexo 8 – Lista de documentos de referências da COP 30
Anexo 9 – Apresentação palestra ‘Resultados e Perspectivas da COP 30’
Anexo 8 – Lista de documentos de referências da COP 30
· Global Mutirão: Uniting humanity in a global mobilization against climate change: https://unfccc.int/sites/default/files/resource/cma2025_L24_adv.pdf
· Simon Stiell closing speech: “COP30 showed that climate cooperation is alive and kicking, keeping humanity in the fight for a livable planet”: https://unfccc.int/cop30
· UN Climate Change Conference - Belém, November 2025: https://unfccc.int/cop30#sessions
· Outcomes of the Belém Climate Change Conference - Advance Unedited Versions (AUVs): https://unfccc.int/cop30/auvs
· PMatters related to the global stocktake: https://unfccc.int/documents/655045
· COP30 aprova o Pacote Belém - 195 partes aprovaram o Pacote Belém — prova de que o multilateralismo pode acelerar a ação climática que beneficia as pessoas: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/cop30-aprova-o-pacote-belem
· Prefeitura de São Paulo reforça protagonismo ambiental com participação na COP30 em Belém - Delegação da Prefeitura apresentou iniciativas da capital, integrou debates globais e reforçou compromisso com a gestão de resíduos sólidos e energia limpa: https://prefeitura.sp.gov.br/web/meio_ambiente/w/prefeitura-de-s%C3%A3o-paulo-refor%C3%A7a-protagonismo-ambiental-com-participa%C3%A7%C3%A3o-na-cop30-em-bel%C3%A9m
· São Paulo na COP30: https://www.saopaulopeloclima.com.br/
· Cidades ganham protagonismo na agenda climática da COP30 - Presidente da COP30, André Corrêa do Lago, ressalta a importância da adaptação e da governança multinível. Na ocasião, também foi lançado um relatório sobre a inclusão das cidades nas novas NDCs: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/cidades-ganham-protagonismo-na-agenda-climatica-da-cop30
· Brasil apresenta projeto que fortalece adaptação urbana frente às mudanças do clima na COP30 - Iniciativa do Ministério das Cidades oferece apoio técnico e científico e promove participação social para tornar os municípios brasileiros mais resilientes e reduzir desigualdades territoriais: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/brasil-apresenta-projeto-que-fortalece-adaptacao-urbana-frente-as-mudancas-do-clima-na-cop30
· COP30: 69 cidades terão apoio para lidar com riscos climáticos - Quase 23 milhões de pessoas serão beneficiadas; cartilha explica como essas mudanças afetam nosso dia a dia: https://www.gov.br/cidades/pt-br/assuntos/noticias-1/noticia-mcid-n-1753
· Cientistas amargam fracasso dos roteiros para eliminar fósseis e desmate na COP30 - Pesquisador sueco teme falsa esperança com proposta isolada e diz que modelo da conferência anda em círculos - Nós sonhávamos com isso, mas países produtores não permitiram, diz Carlos Nobre: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/11/cientistas-amargam-fracasso-dos-roteiros-para-eliminar-fosseis-e-desmate-na-cop30.shtml
· Resultado da COP30 frustra cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que resultados importantes foram obtidos, mas que é difícil chegar a um consenso em um período de profunda divisão geopolítica: https://g1.globo.com/jornal-nacional/jn-na-cop30/noticia/2025/11/22/resultado-da-cop30-frustra-cientistas-ambientalistas-e-representantes-de-diversos-paises.ghtml
· Plano de Lula contra fósseis deu nova dimensão política à COP30, diz presidente da cúpula - André Corrêa do Lago quer integrar Opep em diálogos para elaborar documento e convencer árabes - Embaixador admite que, no momento mais tenso das negociações, temeu um colapso e ligou para o petista: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/11/plano-de-lula-contra-fosseis-deu-nova-dimensao-politica-a-cop30-diz-presidente-da-cupula.shtml
· Isso é um site sobre clima ou futebol? - O Central da COP é um site criado pelo Observatório do Clima, com tudo o que você precisa saber sobre cada edição da Conferência das Partes (COP), mas escrito com uma linguagem de futebol. Afinal, o clima não pode ser uma caixinha de surpresas: https://centraldacop.oc.eco.br/
· COP30 cria movimento pelo fim dos fósseis - Conferência de Belém traz resposta pífia a financiamento climático e não responde à baixa ambição, mas presidente promete mapas do caminho sobre florestas e combustíveis fósseis: https://www.oc.eco.br/cop30-cria-movimento-pelo-fim-dos-fosseis/
· COP30: Governo Federal, C40 e o Pacto Global de Prefeitos anunciam "Mutirão" para soluções climáticas urbanas: https://fnp.org.br/noticias/item/3655-cop30-governo-federal-c40-e-o-pacto-global-de-prefeitos-anunciam-mutirao-para-solucoes-climaticas-urbanas-no-pais
· C40 Na COP30: A COP das cidades, da implementação e da verdade
· https://www.c40.org/pt/news/c40-at-cop30-the-cop-of-cities-implementation-and-truth/
· ICLEI at COP30 - Our network is powering local and regional leaders’ engagement in the COP process - Resultado da COP30 frustra cientistas, ambientalistas e representantes de diversos países - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que resultados importantes foram obtidos, mas que é difícil chegar a um consenso em um período de profunda divisão geopolítica: https://iclei.org/iclei-at-cop30/
· WRI Brasil na COP30: https://www.wribrasil.org.br/cop30
· Presidente da COP admite texto falho e promete mapa para limitar fósseis… - Veja mais em https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2025/11/22/andre-correa-do-lago-reverter-combustiveis-fosseis.htm?cmpid=copiaecola
· Sem fósseis no texto, COP30 pede mais financiamento para adaptação… - Veja mais em https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2025/11/22/cop30-final.htm?cmpid=copiaecola
· Divulgada a pesquisa “Protagonismo do Brasil na COP 30” - A pesquisa foi realizada pelo Instituto IDEA, com apoio da LACLIMA, e lançada no Brazil Forum UK. Confira os resultados na íntegra: https://www.laclima.org/noticias/divulgada-a-pesquisa-%E2%80%9Cprotagonismo-do-brasil-na-cop-30%E2%80%9D
· Troika: Missão 1.5 - O "Roteiro para a Missão 1,5°C" e a Troika das Presidências da COP foram estabelecidos na decisão 1/CMA.5, resultado do primeiro Inventário Global "para fortalecer significativamente a cooperação internacional e o ambiente internacional propício para estimular a ambição na próxima rodada de contribuições determinadas nacionalmente (NDCs), com o objetivo de aprimorar a ação e a implementação nesta década crítica e manter 1,5°C ao alcance": https://unfccc.int/process-and-meetings/conferences/un-climate-change-conference-belem-november-2025/troika-mission-15
· Minuta da revisão do PlanClima SP que ainda consta no site do Participe+, onde foi feita a consulta pública;
· Artigo “O mapa ficou pelo caminho”, na Revista Fapesp 358;
· Artigo “O desafio de Belém”, na Revista Fapesp 357;
· Artigo “De Berlin à Amazônia”, na Revista Fapesp 357
· Vídeo Youtube: “Os Caminhos para o Brasil Pós-COP30”, realizado pela Fapesp, acessível em https://www.youtube.com/watch?v=bagv5ojjhsM&t=4s
Este texto não substitui o original publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo